segunda-feira, fevereiro 04, 2008

MANTA ORGÂNICA

Hoje mostro-vos com foi solucionado um deslizamento de terras, ocorrido há algum tempo atrás na Linha do Norte, mais precisamente junto à Estação de Fátima (Vale dos Ovos, Tomar).

Primeiramente, com o objectivo de aumentar o grau de segurança do talude, procedeu-se à modelação do terreno, diminuindo-lhe a inclinação. De seguida, foram espalhadas sobre o terreno sementes de espécies herbáceas, estendeu-se sobre toda a área de intervenção uma manta orgânica de fibra de coco, e finalmente executou-se uma nova sementeira sobre a manta.

A aplicação das mantas orgânicas permite-nos obter inúmeras vantagens, entre as quais se podem destacar:

- Protecção imediata contra a erosão eólica e hídrica, evitando assim perdas de solo;
- Material biodegradável que ao se decompor aumenta a fertilidade do terreno;
- Aumenta a capacidade de retenção de água e reduz a evaporação.

Como se pode verificar pela foto ao lado, o contraste a nível paisagístico com as soluções anteriormente adoptadas é evidente, e será ainda maior quando a sementeira começar a despontar. Um dos objectivos da engenharia natural é ser uma alternativa viável à aplicação de técnicas de engenharia civil mais rígidas e inertes, e como todos sabemos, por vezes existem certas condições que nos limitam a aplicação das técnicas de engenharia natural.

Apesar destas limitações, o que quero deixar claro, é que, na fase de elaboração deste tipo de projectos, as soluções de engenharia natural deverão também ser tidas em conta, à semelhança do que acontece noutros países europeus.

Um dos exemplos a seguir é o caso italiano, em que nos projectos de estabilização de taludes, vem sempre contemplada uma solução com técnicas de engenharia natural. Caso essa solução seja viável, torna-se prioritária sobre as restantes soluções mais pesadas e tradicionais. Devo referir que esta medida se encontra regulamentada na legislação italiana, o que fez com que a partir de determinado momento, o leque de opções se alargasse, trazendo inúmeros benefícios a nível ambiental, social e económico.

Ao longo dos próximos meses irei acompanhar atentamente o desenvolvimento desta obra, e oportunamente manter-vos-ei actualizados.

Quero aqui deixar um agradecimento especial à responsável pela execução e acompanhamento desta obra, a nossa colega biofísica Rita Sousa.

Saudações verdes

Aldo Freitas

2 comentários:

Artur Ribeiro disse...

Caro Aldo

Desde já uma grande saudação verde e felicitações por mais uma obra executada. Fico a espera das evoluções da mesma. Fica uma duvida: qual foi a combinação de espécies utilizada para a sementeira? Houve cuidade de escolher consoante a exposição?

Cumprimentos Artur Ribeiro

Aldo Freitas disse...

Olá Artur,

terá de ser a Rita a responder à tua dúvida, já que foi ela a directora desta obra. Portanto, as felicitações também terão de lhe ser dirigidas...
Em princípio terá sido uma mistura de espécies herbáceas (gramíneas e leguminosas), mas assim que tiver resposta da Rita confirmarei. E penso que o factor exposição não foi com certeza descurado.

Abraço
Aldo F.