(Reflexão após assistência ao seminário “Recuperação paisagística de pedreiras: efeito do desbaste de pinheiros na vegetação” realizado no Dept. Eng. Florestal no Instituto Superior de Agronomia – Profª Graça Oliveira)
Foi apresentado um estudo relativo à revegetação de patamares de uma pedreira da Arrábida onde, após introdução de uma camada de solo, foram plantadas várias espécies arbustivas autóctones e introduzidas e uma arbórea, o Pinus halepensis (sendo esta também introduzida). Após monitorização desta plantação verificou-se um desenvolvimento da quase totalidade das espécies (em especial dos pinheiros) e surgimento de novas espécies espontâneas (herbáceas e arbustivas). O resultado, a olho nu, seria uma faixa homogénea, como que uma monocultura de pinheiro. Visto não ser este o objectivo do projecto, mas sim o enquadramento da área na paisagem envolvente (estamos a falar da área central do Parque Natural da Arrábida) foi implementado um novo estudo-teste com duração de dois anos. Consistiu essencialmente em dividir dois desses patamares em três parcelas permanentes: 1 – controlo, 2 – desbaste do pinheiro em 10%, 3 – desbaste do pinheiro em 40%. Os resultados apresentados (suportados por análises microclimáticas, índices de diversidade…) e apesar do curto período de tempo, mostravam nas parcelas sujeitas ao desbaste um incremento da vegetação arbustiva em geral e em particular da vegetação espontânea não plantada. Poder-se-á afirmar que a solução testada enfrentaria o problema e o solucionaria a longo prazo.
Finda a apresentação, onde também foi abordado o modo e origem de sementes utilizadas nas sementeiras em revegetação de taludes, algumas questões pertinentes surgiram da plateia que na minha perspectiva me pareceram vitais:
- a introdução de uma espécie exótica (pinheiro de Alepo) em pleno parque natural. Essa espécie de crescimento rápido foi plantada no sentido de criar condições (formação de solo) para a instalação de espécies espontâneas, no entanto esses pinheiros reproduziram-se e propagaram-se; segundo a análise dos resultados era notório o desenvolvimento de novas plântulas dessa mesma espécie;
- a mistura de sementes utilizada de proveniência desconhecida, mesmo que sendo de géneros semelhantes aos ocorrentes na zona poderá dar azo a hibridações entre diferentes espécies contribuindo para a uma “poluição genética” e consequente descaracterização da vegetação natural;
- até que ponto a legislação existente permitiria este dois últimos factos.
A solução implementada cria um novo problema: a proliferação de espécies exóticas numa área protegida, face a uma legislação que não é clara na sua actuação, só poderá ser travada pelo bom senso e profissionalismo dos técnicos responsáveis. Portanto quando um colega nosso me diz que eu sou fundamentalista por me recusar a utilizar plantas ornamentais num jardim (vulgo espaço verde) adjectivando estas de “mais bonitas” eu aceito de bom grado o elogio.
Saudações verdes, mas indígenas!
Vasco Silva